domingo, 12 de agosto de 2018

A criação da vila de Piracuruca

Sabemos que Piracuruca é lugar muito antigo e que sua famosa Igreja de Nossa Senhora do Carmo é da primeira metade do séc. XVIII, tendo sido, inclusive visitada por Gabriel Malagrida. Entretando, a vila de Piracuruca, por incrível que pareça, é muito mais jovem do que a Vila Nova do Poty. Abaixo, segue cópia do documento original:






Achei também o registro do segundo casamento de Albino Borges Leal, um dos mais marcantes personagens da história de Piracuruca. Dizem que ele foi frontalmente contra a transferência da capital para Teresina.


sábado, 11 de agosto de 2018

D. Clara Castelo Branco na Serra Negra em 1718?

A 24 de junho de 1718 no Putuhy, Fazenda da Serra, o Comissário Manoel Carvalho de Almeida e sua mulher Dona CLARA CASTELO BRANCO foram padrinhos de CLARA, filha legítima do Sargento Mor João Rabello Bandeira e sua mulher Feliciana da Silva. Quem batizou Clara foi o Frei Miguel Soares da Fonseca sob a licença do Padre Thomé Carvalho Silva, o primeiro padre da paróquia de Nossa Senhora da Vitória de Oeiras. Achei este documento há muitos anos atrás e só agora notei a grande importância histórica dele. Segundo o padre Cláudio Melo esta nobre senhora foi uma das primeiras a viver no Piauí. Em face deste registro, tem muita lógica o que disse aquele homem sábio, pois da descoberta do rio Piauí em 1882 até 1718 são apenas 36 anos. É óbvio que este batizado se deu na região de Aroazes, abaixo do Poty (Putuhy), pois neste período já existia a paróquia de Santo Antônio dos Alongazes.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Casa da Tapera era um quartel

Existem registros de desobrigas na Fazenda da Tapera em 1733. Em 1810 ela abrigava um quartel sob o comando de João Leite Pereira de Castelo Branco, o qual viria a ser o substituto de Luís Carlos da Serra no governo do Piaui.




Documento escrito pelo último Capitão Mor de Valença do Piaui e chefe das operações encobertas na guerra pela independência.

domingo, 29 de julho de 2018

Existiu algum Luis Carlos Pereira de Abreu Bacelar criminoso?

Existiram muitos homônimos com o nome Luis Carlos Pereira de Abreu Bacelar. Dou notícia de 6, sendo 4 deles no Piauí e os outros 2 no noroeste da Bahia:

1. Mestre de Campo e Capitão Mor de Parnaíba e de Valença, casado com Dona Arcângela Úrsula de Castelo Branco, filha de Dona Clara da Cunha e Silva Castelo Branco, a qual era da Comarca de Santo Antônio dos Alongazes. Clara era filha de Dom Francisco de Castelo Branco.

2. Coronel de Milícias Luis Carlos da Serra Negra, filho do primeiro.

3. Luiz Carlos Pereira de Abreu Bacelar Castelo Branco. VALENÇA-PI/PORTUGAL Cavaleiro da Ordem de Cristo, moço fidalgo com exercício no Paço. Deputado da Real Junta do Tabaco. Teve mercê de Carta de Brasão de Armas, datado de 24/05/1830, registrada no Cartório da Nobreza, Livro VIII, folha 251: um escudo esquartelado com armas das famílias Abreu (1º quartel), Bacelar (2º quartel), Castelo-Branco (3º quarte) e Souto Maior (4º quartel). Trata-se do filho do Coronel Luiz Carlos Pereira de Abreu Bacellar com Luzia Perpétua Carneiro de Souto Maior, uma das mulheres mais ricas e poderosas do período joanino.


4. Sargento-Mor Luiz Carlos Pereira de Abreu Bacellar[1]. PILÃO ARCADO-BA. Em um fragmento de documento relativo a inventário é citado o nome do Sargento-Mor Luiz Carlos Pereira de Abreu Bacellar, juntamente com o de Antonio Jozé Leite (...) de Castelo Branco [Judiciário de Valença, Caixa 406. APPI], conforme segue:
         No Arquivo Nacional do Rio de Janeiro constam as seguintes fichas sobre este  Sargento-Mor de Pilão Arcado:
“ABREU BACELLAR (Luiz Carlos Pereira de ____) RGM – Col 137 – Decreto confirmando-o no posto de Sargento-Mór das Ordenanças da Vila de Pilão Arcado, Capitania de Pernambuco – Rio, 08/01/1816 – RGM, L 38, fl 88v;                     
 ABREU BACELLAR (Luiz Carlos Pereira de ____) Agraciado com Comenda de São Cosme e Damião de Azere da Ordem de Cristo – 13/05/1820 – 1 doc, 1 an, 2 fls – Cx 787, pac 4, doc 39”.
         Em 1/2/1821, do palácio de Oeiras é enviado ao Sargento mor Luiz Carlos Pereira de Abreu Bacelar ofício pedindo a captura do escravo Pedro do Real Fisco fábrica da Fazenda Julião, que assassinara o criador camarada da mesma e que segundo notícias estava na região sob a jurisdição do sargento-mor Luiz carlos Pereira de Abreu Bacelar [Códice 399, estn 4, prat 1 – APPI, fl. 155/155v].

5. Luiz Carlos Pereira (de Abreu) Bacellar [c1. Joana Ferreira de Souza; c2. Roza Linda de Castelo Branco Bacellar]. Era filho de Claro Luis Pereira de Abreu Bacelar, o maior herói da nossa independência, o qual recebeu a Ordem do Cruzeiro instituída por D. Pedro I. Luiz Carlos Pereira Bacellar de VALENÇA-PI. Em 25 de julho de 1842, este lavrador e fazendeiro, foi incluído na lista de jurados na Freguesia de Valença-PI, juntamente com Reinaldo Pereira de Abreu Bacellar. Em 27/2/1860 tinha 45 anos, casado, proprietário. Está na lista dos votantes na Freguesia de Nossa Senhora do Ó da Villa de Valença em 1861. Em 1864 tinha 49 anos, era viúvo. Em 1865 tinha 50 anos, casado e proprietário. [Caixa de Valença-PI, do Arquivo Público do Estado do Piauí/APPI].
Por enquanto, tudo indica que era filho legítimo do Sargento-Mor Claro Luiz Pereira de Abreu Bacellar, um dos membros da Junta Militar do Poty, que organizou e dirigiu as tropas que marcharam contra o Exército de Fidié [conforme página 162v do Livro de Batismos de Valença-PI].
O Governador Peretti se refere ao mesmo como sendo criminoso protegido por autoridades locais de Valença, juntamente com João Pereira Mattos (página 169v e 170 de SPE Cod755 estn 07 Prat 01 do APPI).
Foi um dos cidadãos que muito contribuiu para a Santa Casa de Oeiras-PI, o primeiro grande hospital do Piauí. Na lista dos qualificados para Guardas Nacionais em Valença em 24/01/1846, eis a qualificação de Luiz Carlos Pereira Bacellar: “30 anos, branco, casado, natural do Piaui, lavrador, morador do Brejo. ATIVO” [Caixa de Valença do APPI].
         Em 31/1/1862, Luiz Carlos Pereira Bacellar foi testemunha de casamento na Fazenda Santo Antonio em Valença [Casamento Valença 1862, folha 20v. Paulo VI].
         Em 26/10/1864, no Sítio Brejo, o Capitão Luis Carlos Pereira de Abreu Bacellar, viuvo por falecimento de Dona Joana Pereira de Souza, casou-se com Dona Roza Linda de Castello Branco Bacellar, viuva do Capitão Claro Pereira Bacellar, na Igreja de Nossa Senhora do Ó em Valença-PI [Casamento Valença 1862, folha 60v. Pio VI]. Veja abaixo o registro de casamento de Pedro de Araújo Rocha com Maria Roza Bacelar, filha legítima do Capitão Claro Pereira Bacelar (já falecido em 24/05/1861) e de Dona Roza Linda de Castelo Branco, na Matriz de Nossa Senhora do Ò, na vila de Valença do PI.
         Em 25/04/1841 o Capitão Aniceto de Araujo Souza[1], da localidade Bom Jardim, informa ao Barão da Parnaíba que mandou prender Luis Carlos Pereira de Abreu Bacellar, cumprindo a Portaria do Barão, datada de 12/04/1841. Aniceto, nesta missiva, informa ainda que está preparando o segundo bote para 24/12/1841.[2]
         O alferes secretário do 2º Batalhão Luiz Carlos Pereira Bacellar foi nomeado Capitão em 03/03/1848 [APPI. Caixa W / Guarda Nacional].
         Um certo Luiz Carlos Pereira Bacellar foi padrinho de batismo de Anfrísio, filho legítimo de Manoel Campello da Silva e Leonarda Alves de Oliveira, em 22/07/1857 [Batismos Valença 1857-1862, fl. 62v].
         Na ata de eleição de Castelo em 08/03/1867 consta o seguinte: Luiz Carlos Pereira de Abreu Bacellar, 31 anos de idade, casado, lavrador [Executivo Castelo APPI, caixa 799/800].
         O Capitão Luiz Carlos Pereira Bacellar foi padrinho de Coriolano, filho legítimo de Francisco Antonio de Souza e Maria Luiza de Miranda, nascido em 30/06/1850 em Cajazeiras, e batizado em 27/12/1850, via procuração apresentada por Claro Pereira Bacellar e Joanna Ferreira de Souza [Batismo Valença 1849-1851. Paulo VI].




[2] Este fato parece ser um forte indicativo de que os Abreu Bacellar lutaram contra o Barão da Parnaiba na Balaiada. 

6. Luis Carlos Pereira de Abreu Bacelar. Morreu em Pilão Arcado-BA no início do século XX e por ocasião de seu falecimento era casado com uma senhora da Família Benevides, a qual foi sua inventariante.

COMENTÁRIO. Não consta que nenhum deles tenha sido criminoso ou coisa parecida. O que andou mais próximo disso foi o Coronel Luís Carlos da Serra Negra, o qual chegou a responder processo como um dos supostos mandantes da morte de Antônio Pereira Nunes no início do século XIX. No entanto, nada restou provado contra ele, o qual jamais foi condenado (brevemente escreverei sobre este enigmático tema, tão atual!). Mas participaram de guerras e muitas revoltas, tais como a Balaiada. A propósito, a seguir apresento um interessante documento no qual armam um "segundo bote" para pegar 5 (ou o pai de 6 ou outro ainda não identificado por este autor). Graças ao bom Deus, Aniceto não chegou a prender o glorioso filho de Claro Luís na noite de Natal, pois os documentos acima referidos o mostram viuvo e casando com Dona Roza Linda de Castelo Branco, viuva de seu irmão Claro Luís Pereira de Abreu Bacelar, em 1862.









[1] Acredito tratar-se de algum filho de João Leite Pereira de Castelo Branco, visto que o citado, Antonio Joze Leite Pereira de Castelo Branco, filho de João Leite, morou em Pilão Arcado e tornou-se depois Capitão-Mor de Valença. Foi um dos principais arquitetos da Independência do Piauí, pois dirigiu as operações encobertas. Só foi superado pelo Capitão Claro Luís, o qual participou de todas as fases da guerra e dirigiu a partir da Vila do Poti e Passo de Santo Antônio (Timon, MA) o cerco ao Fidié em Caxias. Liberato Joze Leite Pereira de Castelo Branco, outro filho do Tenente Coronel João Leite Pereira de Castelo Branco, tornou-se Capitão-Mor de Pilão Arcado. Este Sargento-Mor é muito pouco citado nos documentos relativos ao Piauí. Nota do autor.

A Primeira Eleição do Piauí? - documento manuscrito








terça-feira, 24 de julho de 2018

A fortuna de Luís Carlos da Serra Negra

Ainda hoje existem pessoas pensando que Luís Carlos da Serra Negra foi enterrado junto com sua fortuna, convertida em ouro e pedras preciosas. Outros pensam que ele, por ser Cavaleiro da Ordem de Cristo, foi levado pelos membros desta ordem mística, os quais teria ficado com a sua fortuna. O que sei é que sua fortuna foi dividida entre os seus herdeiros em um inventário com testamento tendo seu parente João Nepomuceno Castelo Branco como juiz, auxiliado em Campo Maior e Marvão pelo juiz Antônio José Nunes Bona. Fizeram o inventário e distribuíram para os dois filhos legítimos, em pé de igualdade com os outros três que haviam sido legitimados antes do casamento com Luzia Perpétua, supostamente conforme a vontade do defunto (este testamento eu nunca vi e gostaria de ver. Se alguém o tiver me avise!), inclusive aplicando uma lei a qual mandava excluir algum cônjuge que não estivesse no Brasil por ocasião da morte do inventariado. E excluiram a viúva meeira, LUZIA PERPÉTUA CARNEIRO DE SOUTOMAIOR BACELAR, a qual estava em Portugal. Isso ocorreu no final de 1811 e, cópia de parte deste inventário, os historiadores do Piauí conhecem. E os herdeiros, mormente os que já podiam gastar dinheiro, gastaram bastante pois era muito mesmo. E ficaram assim por dois anos até que em 1813 D. João VI estabeleceu uma norma régia mandando tomar tudo de volta. Foi aquele rebuliço, um inferno mesmo, pois todo o Piaui se revoltou, visto que esta norma empobreceu mais ainda o Piaui, pois toda esta fortuna, bem como a produção das fazendas (eram as quarenta grandes daquele tempo!) deviam ser levadas, e foram, para Pernambuco, Rio de Janeiro e Maranhão. Muitos foram os presos e mortos nesta pendenga. Foi o período mais turbulento e triste da história política do Piauí. Ficou de um jeito que ninguém queria assumir o governo da capitania. Nem o Simplício Dias da Silva, aceitou "matar a bola no peito". Até uma mulher, Ana Pulquéria de Monserrate Castelo Branco (viúva de um dos irmãos de Luis Carlos), chegou a assinar o livro da governança. Teve um governador que morreu quando estava vindo assumir, e teve outro que foi levado preso junto com seus auxiliares, a saber, JOÃO LEITE PEREIRA DE CASTELO BRANCO. E os descendentes de Luís Carlos que não foram mortos ou presos, fugiram para Pilão Arcado (onde havia sido Capitão Mor com força total, FÉLIX JOSÉ LEITE PEREIRA CASTELO BRANCO, o irmão mais velho de Luis Carlos) ou para as "brenhas do Piauí", como foi o caso do bisavô de meu avô, TORCATO LUIS PEREIRA DE ABREU BACELAR. A única pessoa que chegou a me dar notícia oral dele foi meu falecido primo Antônio Bacelar, o qual foi gerente de hotéis em Teresina-PI (era o velho Trocate, dizia ele se referindo às conversas dos mais velhos!). Até hoje Torcato Luís está no mato, enterrado sabe-se lá onde! As últimas informações que eu tive dele foram em Angical e Roça do Mato, em Marvão do Piauí nos anos 40 do século XIX. Ficaram nesta pendenga até 1823, quando resolveram tomar o poder (o Piaui tinha motivos de sobra para guerrear!). Mas o Fidié e as tropas cearenses não deixaram. A viúva foi embora muita rica para Portugal deixando uma conta pesada para nós brasileiros pagarmos, segundo diziam os senadores da época. Mas pelo menos ela deixou quadros valiosos, que não couberam na bagagem. Para encurtar esta história: em 1885 morreu o homônimo filho (a filha, coitada, morreu afogada em naufrágio quando ia do Rio de Janeiro para São Luís casar-se!) de Luís Carlos com a Luzia, muito rico (assim diziam os jornais portugueses da época!) e sem descendentes. Se habilitaram para receber esta herança alguns descendentes dos irmãos de Luzia Perpétua. Não sei se conseguiram botar a mão neste dinheiro. Só sei que tentaram. Se tiverem conseguido, tal fato explicaria em parte a pujança da elite maranhense ao longo destes últimos 140 anos. Se não, os "portugas" foram os que se deram bem, pois parece que nada ficou no Piauí. Vejam a tentativa na figura abaixo.


domingo, 22 de julho de 2018

Um achado histórico de Gustavo Medeiros







Atualmente União tem a mulher mais bonita Brasil. A Miss Brasil? Sim, a Miss Brasil. União também tem outros recordes inimagináveis. União teve um Governador do Piauí recentemente falecido chamado Bona Medeiros, o qual possui um recorde idêntico ao de Simão Teles Bacelar, o nosso Sima: nenhum cartão vermelho, amarelo ou advertência. No futebol? Não, na política e também na administração pública. Aliás, Sima também é da antiga região do Estanhado. Obviamente, não conheço a história de União para falar sobre todos os seus grandes vultos. Mas sei que Gustavo Medeiros é filho de Bona Medeiros, e foi prefeito de União mais de uma vez. E não se sabe sobre coisas erradas que ele tenha feito ou participado, minimamente. Mas ele me surpreendeu mesmo foi como genealogista e pesquisador da história do Piauí. Enviou para mim em 25 de julho de 2017 um libelo de Clementino Luis Pereira Brasil, datado no dia 29 de Setembro de 1840, no qual este pede que seja declarado que ele, e mais outros cinco irmãos, são filhos do Coronel Luis Carlos Pereira de Abreu Bacelar com Floripes Leite Pereira. E que o Tenente Coronel João Leite Pereira de Castelo Branco, irmão do finado Coronel, o levou para ser criado e educado na Fazenda da Tapera após a morte do Coronel Luis Carlos. Fui olhar a caixa e infelizmente não vi referência os nomes dos outros 5 filhos do Coronel Luís Carlos da Serra Negra com Floripes Leite Pereira.